Google + acerta em funcionalidades, mas falha na integração com redes e entre pessoas

via @santaklauss

Fonte: R7

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Por: Juliana Damasceno

 

A chegada da versão beta do Google+ tem tirado o foco daquele que parecia ter ofuscado definitivamente todo o “brilho e glamour” do Orkut no país, – o Facebook – e tem dividido opiniões (e conexões) desde que foi lançado para testes, há duas semanas.

Após tentativas frustradas de unir serviços como e-mail, mensagem instantânea e redes de contatos por meio do Wave – lançado em 2009 – e um atualizador parecido com o Twitter, batizado de Buzz, em 2010, a empresa norte-americana resolveu tentar mais uma vez conquistar a promissora fatia da rede de relacionamentos.

Com um design clean e os chamados círculos – onde o usuário pode separar seus contatos por grau de aproximação -, o serviço só chegou a alguns convidados, que espalharam as “entradas” aos conhecidos. A rede reuniu cerca de 10 milhões de pessoas, em pouco mais de duas semanas, a fim de testar suas funcionalidades. Mas, no meio dessa multidão, a maioria apenas passou.

A nova rede social, apesar de mostrar-se inovadora, sofre com uma série de equívocos funcionais.

Para Beth Saad, diretora do Digicorp, núcleo de comunicação digital da Escola de Comunicação e Artes da USP, o maior problema do novo Google + é justamente a falta de integração com outras redes.

- O maior problema que encontrei, até o momento, foi a falta de conversa com outras redes. Você é uma pessoa única no processo, não se relaciona com outras fontes.

Beth confessa que não identificou uma lógica adequada para suas postagens.

- O volume de redes é tão imenso que só nos falta a criação de uma própria cuja mensagem seja: “não poste nada”. Ainda estou estudando melhor para conseguir entender a lógica desse novo serviço.

Mas, segundo ela, é válida a iniciativa do Google em correr atrás da concorrência.

O professor de mídias sociais da ESPM e dono da consultoria em redes Gaia Creative, Gil Giardelli, concorda com a colega, quando o assunto é o monopólio absoluto. Mas afirma que faltam diferenciais para que o Google dê o “salto final”.

- O Google está correndo atrás do concorrente, o que é curioso e interessante. Mas eles não conseguiram dar nenhum diferencial, até agora. O Google + para mim mais parece um “Frankenstein”: tem a cabeça do Orkut, as pernas do Facebook e mãos de Twitter.

Para o professor, os círculos são o que há de realmente relevante na nova rede social, que “apesar de muito legais, não correspondem à nossa realidade pessoal, muito menos virtual”.

- O mundo está sem tempo para administrar isso.

Por meio de sua assessoria, o Google informou que o + é um “projeto que pretende fazer o compartilhamento de informações na internet se tornar mais parecido com a vida real – você divide coisas diferentes com pessoas diferentes”.

Questionado sobre a necessidade de mandar convites para apenas um grupo seleto de pessoas, o Google se justificou.

- Para ver como seria o approach da marca para esse tipo de compartilhamento, e para criar um modo melhor de se conectar com as diferentes pessoas que existem nas nossas vidas.

Os argumentos da gigante da internet, no entanto, não pareceram atraentes para o estagiário na área de mídias sociais de uma grande agência de comunicação, Michel Luz, de 20 anos.

Viciado em Facebook, ele já foi um amante do Orkut também, quando entrou por influência dos amigos no colégio. Para ele, a complexidade da plataforma do Google ainda é um problema a ser revisto pela gigante buscadora.

-Acho que o novo serviço, aos olhos do usuário provoca certo distanciamento das relações interpessoais, fazer contatos, falar com amigos.

Giardelli complementa, dizendo que a cultura de utilização das redes sociais no país também aumenta essa sensação.

- As redes sociais no Brasil estão totalmente voltadas para as facilidades, e não para as ferramentas. É um processo coletivo, como a moda: “tá todo mundo lá, também vou”. E no fim das contas, fui um dos primeiros a receber o link do Google +,e usei, no máximo, duas vezes.

Em meio a tantas críticas, o Google afirma que o modelo ainda não é definitivo.

- Por ainda estar em fase de testes, muitas coisas ainda podem acontecer no Google+, mas não temos nada para divulgar neste momento.