Pressa para investir em tecnologia alimenta bolha na web

via @santaklauss

Fonte: Veja

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Por: Claire Cain Miller – The New York Times

 

O que aconteceria se você desse uma festa de 41 milhões de dólares e ninguém aparecesse? Uma companhia iniciante chamada Color conhece esse sentimento.

Em março, a Color revelou seu aplicativo de compartilhamento de fotos para celulares – e revelou também que havia angariado 41 milhões de dólares de investidores, antes que o aplicativo tivesse um único usuário. A despeito das riquezas da companhia, o aplicativo aterrissou com um baque, atraindo poucos usuários e muitas reclamações daqueles que realmente o testaram.

Desde então, a Color se tornou um sinal de alerta para investidores, empreendedores e analistas que temem a existência de uma bolha na área de investimentos iniciais. Eles dizem que isso mostra que os capitalistas de risco, desesperados em investir no próximo Facebook ou LinkedIn, estão distribuindo dinheiro às cegas para startups que não demonstraram que possam construir alguma coisa útil, quanto mais um negócio que consiga trazer retornos decentes de investimento.

A preocupação, dizem os investidores, são os preços, que afirmam pagar duas ou três vezes mais do que no ano passado por suas participações nessas startups. Segundo a National Venture Capital Association, os capitalistas de risco investiram 5,9 bilhões de dólares nos três primeiros meses deste ano, 14% a mais do que no ano passado, mas os investimentos foram feitos em 51 companhias a menos, o que indica que os investidores estão filtrando mais capital em menos startups.

“As histórias de grande sucesso – Facebook, Zynga e Twitter – estão levando a se investir em ideias ‘de guardanapo’, porque ninguém quer ficar de fora do próximo grande negócio”, diz Eric Lefkofsky, um dos fundadores do Groupon.

Uma década atrás, no primeiro surto de investimento na internet, não era incomum que startups de tecnologia conseguissem levantar dezenas de milhões de dólares antes de terem qualquer receita, produto ou usuários. Mas os capitalistas de risco tornaram-se mais cautelosos depois da explosão da bolha e da recessão de 2008 ter paralisado o Vale do Silício. Principalmente porque a relação de custo-benefício mudou, agora está mais barato do que nunca a criação de um website ou um aplicativo para aparelho móvel. Então, agora, a filosofia geral tem sido ‘começar pequeno’.

Dois dos aplicativos de compartilhamento de fotos concorrentes da Color, o Instagram e o PicPlz, são exemplos de se começar pequeno. Eles começaram com 500 mil dólares e 350 mil dólares, respectivamente, e equipes de apenas algumas poucas pessoas. À medida que introduziram produtos de sucesso e atraíram usuários, lentamente levantaram mais dinheiro e contrataram engenheiros. A Color, enquanto isso, gastou 350 mil dólares apenas para comprar o domínio color.come.

Empreendedor em série, Nguyen, que é o principal investidor da Color, diz que sempre levantou mais dinheiro do que precisava, porque se o produto vacilasse ele teria o suficiente para continuar durante mais tempo do que seus concorrentes. Mas isso também significa que ele teria de vender a companhia para uma maior por muito mais dinheiro do que teria, caso tivesse levantado menos. Mas ele não se desculpa pela quantidade de dinheiro que angariou.

Analistas estão curiosos sobre o que a Color pode conseguir em uma remodelagem – e se ela ou outras startups caríssimas podem derrotar as chances que toda companhia inexperiente enfrentam.